O gigante que compre espertarmos

O galego-português das Astúrias é um gigante dormido, ũa grande força que só aguarda a que alguém a esperte do longo sonho do esqueço e a indiferença impostas. Compre espertarmo-lo, revivermo-lo e reintegrarmo-lo no seu espaço natural: a lusofonia. Um espaço do que fomos afastados por séculos de imposições e marginações do espanholismo.

A nossa reconstruçom nacional, já o dixem outras vezes, nom pode erguer-se sobre aquelas teimas e marcos destrutivos que nos impugeram historicamente. Nom podemos fazer nossas as máximas da uniformizaçom e a leitura estreita da identidade que nos levou a nos esquecermos do que somos.

Temos, por contra, que explorar as nossas potencialidades. Nom podemos, por um medo imposto à diversidade, renunciar ao potencial identitário, cultural, político e económico que supom termos como língua própria ũa língua internacionalizada e já plenamente normalizada noutros territórios. Ou nos desfazemos das leituras localistas e negadoras, produto da subordinaçom, ou só estaremos a seguir alimentando a nossa morte.

Que ganhamos exatamente normalizando as nossas falas galego-portuguesas baixo ũa visom que as saca do seu âmbito linguístico natural só para reduzi-las a ũas peculiares falas locais? Nom é isso reproduzirmos o discurso opressivo do que dizemos querer separar-nos? Nom ganharíamos muito mais aceitando, sem medos nem prejuízos, a sua filiaçom linguística e empregando ũa grafia de uniom com o resto de terras com as que partilhamos idioma? Nom teríamos muito mais que ganhar como sociedade, como naçom emergente, se aproveitássemos um recurso natural, como é a língua, para abrirmos as portas a todo um mundo linguístico-cultural e literário do que nos afastou a imposiçom imperialista?

O galego-português da nossa terra é precisamente isso: um grande gigante dormido que agora nos toca espertar. Devemos pôr no mapa da lusofonia o nosso país, que ondule orgulhosa a nossa azul bandeira ao lado do resto de terras com as que partilhamos língua. É o único jeito de lhes abrir outra fronte mais aos nossos inimigos que jogue clara e rotundamente no nosso benefício. É reconstruirmo-nos nacionalmente borrando as barreiras mentais impostas, fazermos-lo aproveitado as nossas potencialidades centrando-nos nas nossas próprias forças, lermos como naçom em positivo.

Levamos muito tempo presos dum discurso em negativo sobre a nossa identidade e as nossas potencialidades. Senhamos inteligentes e, por ũa vez, adiantemo-nos na batalha apostando por ũa estratégia nom de resistência, senom de futuro, baseada no nosso próprio potencial, ũa estratégia de futuro e vitória. Devemos abandonar as leituras sobre nós mesmos e as estratégia pensadas para a resistência, porque a resistência nom é mais que um cárcere auto-imposto. É o jeito que tem o inimigo de roubar-nos a perspectiva de futuro, de negar-nos o sonho da vitória e condenar-nos ao eterno fracasso.

Acheguemo-nos aos nossos irmãos galegos, portugueses, americanos, africanos e da Oceânia. Nom tenhamos medo de sermos parte dum mundo que só nos poderia traher benefícios, reconhecimento e ar, para respirarmos ceives num dos nossos espaços culturais. Acheguemo-nos com a carta de presentaçom que nos outorga sermos partes deles e fagamos-lo, também sem medo, amossando que a nossa naçom nom é, nem pode se-lo, monolingue.

E nom nos esqueçamos de que podemos aproveitar toda a tradiçom, da que também formamos parte, que oferece o português para nos tirar de encima séculos de imposições linguísticas no asturiano.

Em definitiva, só quando esqueçamos as curtas miras que nos impõem séculos de marginaçom e discurso provinciano, séculos de nos imporem ũa visom localista das nossas falas e um medo irracional a sermos nós mesmo plenamente, só nesse momento poderemos aceitar-nos como o que somos: um povo com duas línguas nacionais. Nunca teremos ũa pátria liberada até que nom nos vejamos nacionalmente reflectidos também na língua de Camões, na língua de Rosalia, na nossa língua e na sua autêntica grafia.

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